A Psicologia é uma profissão bastante desprezada por não existir divulgação sobre a sua importância para a sociedade. Não é raro mesmo nos dias de hoje, vermos dúvidas dos que desconhecem da profissão, em relação à sua funcionalidade, e muitas vezes, em relação à associação que fazem da Psicologia com a loucura. Sabendo sobre as dificuldades que existem em estudar a subjetividade humana, podemos entender que estamos ainda longe de atingir uma estabilidade que possa garantir no olhar social a compreensão do quão importante é a Psicologia.
Venho por esse meio de comunicação, expressar a minha indignação diante daqueles que pretendem ser psicólogos um dia. Apesar de ser um estudante de Psicologia, não me recuso a dizer sobre as deficiências dos que estudam essa área. Primeiro ponto que quero salientar é a seguinte questão; Muitos procuram o curso de Psicologia, com o objetivo de buscar um sentido para as suas angústias, isso não quer dizer que seja todos, mas uma grande parte. Segundo ponto, é o encantamento com o fato de “gostar de ajudar os outros”. Desde que ingressei na universidade, não me conformo com esse modelo de pensamento, pois penso que é justamente tais raciocínios que interferem na qualidade da profissão, e desse modo, faz dela um motivo para uma má compreensão social.
Entendo a Psicologia, no seguinte ângulo; é necessário entender que se meu objetivo é lidar com a interação paciente-psicólogo, é preciso antes de tudo me conscientizar que preciso me entender, para partindo do entendimento sobre o meu próprio eu, ser capaz de entender o outro, pois é assim que se faz a verdadeira terapia, em que a profissão estará interligada com a sua funcionalidade real. O fator “ajuda” é a conseqüência dos verdadeiros instrumentos, que é o “ me entender” e “entender o outro”. A ajuda não está em quem o paciente procura, mas sim naquele que busca ser ajudado (ou seja, nele mesmo). O fato de buscar uma ajuda, já é se ajudar. O que consigo perceber dentro do curso de Psicologia, é a forma distorcida que ele é visto. Por exemplo, muitos desconhecem da profundidade da qual esta área faz referência, e muitas vezes ignorando esse dado, flutua na superfície de uma vaga idéia de que ser psicólogo é lidar com aquilo que simplesmente está aparente. É claro que por este meio, entraremos em teorias psicológicas que nos levará a um extenso debate, e discordâncias, mas o que quero levantar para o destaque, é que o estudante de Psicologia necessita urgentemente entender que ele não será um bom profissional, se não entender as reais funções do que ele estuda, e muito menos, se ele não se dispuser a fazer uma terapia, para concluir o objetivo primordial, o “se entender”.
Quem pouco reflete, se distancia cada vez mais da finalidade do estudo psicológico. Psicologia é a reflexão sobre o homem, sobre os seus comportamentos, as formas nas quais conseguimos estabelecer interações. Mas não só isso é necessário compreender a existência da sensibilidade, que para muitos, “sensibilidade” é uma hipérbole da vida. Para esse efeito, é preciso procurar por uma terapia, para conhecer questões que jamais havia refletido, e além disso, perceber que é capaz de sentir, e compreender o sentido da “sensibilidade”, elemento bastante importante para a descoberta do homem, enquanto objeto de estudo. Enquanto não houver interesse em entender a real função da Psicologia, jamais haverá importância naquilo que se refere a ela ( que é bastante importante para o crescimento do homem, em todos os aspectos). Estudar Psicologia, é estudar a natureza humana em sua profundidade!
João Corumba
Alusão ao Desencanto
A estranheza do desconhecido
quarta-feira, 1 de junho de 2011
sábado, 16 de abril de 2011
Recado para quem amo que se foi
"O sagrado se vai na experiência de uma vida
dividida e secreta, o escuro é a própria vida,
a morte é só o começo de um novo quadro belo.A
beleza que deixaste se demonstra em forma de respeito
e sabedoria, riqueza plena que em mim se revela raíz.
Agradeço pela sua passagem e os seus atos paternos mais
marcantes.
OBRIGADO! João Paulo"
dividida e secreta, o escuro é a própria vida,
a morte é só o começo de um novo quadro belo.A
beleza que deixaste se demonstra em forma de respeito
e sabedoria, riqueza plena que em mim se revela raíz.
Agradeço pela sua passagem e os seus atos paternos mais
marcantes.
OBRIGADO! João Paulo"
sexta-feira, 15 de abril de 2011
A morte e o amor: O retrato da vida.
Quando o homem compreende realmente que está ligado à vida? Eu diria que parte de de um pouco dos seguintes princípios: O princípio do se amar, amar o outro e ser amado e um pouco do princípio do saber que está perto de morrer seja pelo impacto causado pelo envelhecimento, ou seja, por uma notícia de uma doença fatal. Diante desses princípios citados, costumo refletir que o homem passa pela vida de maneira despercebida, e só depois que os seus desejos não são apenas desejos e sim direcionamentos, sentimentos, é que o homem se compreende um ser vital.Não costumo pensar sobre as necessidades fisiológicas, como a satisfação da fome por exemplo, como uma estrutura primordial/inicial como pensa Maslow, que nos fazem sentir em contato pleno com a vida para partirmos para novos interesses, mas sim como uma segunda parte de um processo para a construção dos impulsos que nos levam a tal pulsão de vida, pois a primeira parte desse processo é o próprio impulso para satisfazer as necessidades fisiológicas, isto é, o amor/relacionar-se que Maslow sugere em sua hierarquia da motivação ao meu modo de refletir, está na primeira hipótese enquanto entendermos a ligação com à vida como uma motivação, pois a sensação de segurança e a satisfação das necessidades fisiológicas fazem parte do próprio impulso da sobrevivência enquanto uma estrutura já estabelecida, pois o amor, é inerente a capacidade de compreensão da vida como fonte de novas sensações que auxiliam as nossas estruturas, e não como partes originais de nossa estrutura psíquica.
Analisando deste modo, é possível penetrar na infinita complexidade do ser humano, não totalmente, mas conseguir abordar algumas partes desse infinito humano que se classifica emocional e racional. A emoção existe por si só, não há esforço que lhe construa, não necessita de nada, possui uma vida por conta própria, enquanto para a racionalidade, o indivíduo precisa de um esforço para que possa emergir a um grau empírico que seja definitivamente válido. Diante da morte refletimos sempre sobre a morte do outro, e nunca sobre a nossa morte. Sigmund Freud, já dizia sobre essa nossa limitação para se pensar em nossa própria morte, pois se pensarmos ou sonharmos com a nossa morte, não poderíamos relatar tal pensamento/sonho, pois o que morre perde a voz, logo, não seríamos o protagonista da morte, mas sim espectadores dela, desse modo, jamais podemos pensar, sonhar com a nossa própria morte. Podemos então dizer que diante da afirmação dita acima, podemos provar que desde o primeiro pensamento sobre a morte (do outro) significa que já nos encontramos ligados à vida? A essa indagação, parte do segundo princípio dito no começo, o princípio do saber sobre a própria morte por meio do envelhecimento ou por uma doença fatal. O indivíduo como diz Freud, jamais conseguirá pensar/sonhar em sua própria morte, sempre que ele diz ter pensado/sonhado em sua própria morte, ele não tem consciência plena disso, porque no fundo o que ocorre é de fato um assassinato, e não um “suicídio”. Então, partindo desse pressuposto, o que se pode notar é que pensar na morte já é se sentir ligado à vida, mas por um meio muito vago se não levarmos em consideração sobre o sentimento do amor próprio, e os investimentos amorosos para um objeto.
O investimento libinal de objetos não aumenta o amor-próprio. A dependência do objeto amado tem efeito rebaixador; o apaixonado é humilde. Alguém que ama perdeu, por assim dizer, uma parte do seu narcisismo, e apenas sendo amado pode reavê-la. Em todos esses vínculos o amor-próprio parece guardar relação com o elemento narcísico da vida amorosa. (FREUD, Sigmund. Introdução ao Narcisismo, 1914, p.46)
O fato de perdermos uma parte do nosso narcisismo quando estamos investindo em outro objeto, é de certo modo gratificante do ponto de vista de uma transformação no sentido evolutivo do ser humano, isto é, podemos então garantir um sentido a nossa existência por meio do que nos sugere a sobrevivência, um contato de dependência, pois é justamente pela dependência dos outros que sobrevivemos. Segundo Sigmund Freud, “quem não ama, adoece”, e é justamente nesse adoecer que o que nos liga à vida, se desconstrói, e uma nova realidade assume o nosso comando, sendo que esta por sua vez, possui um acesso a não-vitalidade. A reunião de seres humanos na própria existência constata que o olhar do outro é o espelho da nossa vida, pois é a partir do outro que nos orientamos, o outro nos serve como um mapa para o nosso estabelecimento no aqui, no agora. O amor nos garante a cura para suportar a vida, sendo assim, a possibilidade de ligação para com ela, e o saber sobre a própria morte por intermédio de uma aprendizagem vicária diante daqueles que já morreram. Estamos ligados à vida, quando estivermos convictos que a morte existe através da razão, e quando estivermos convictos que o amor em nós existe, através das sensações de perda de uma parte ou diminuição do amor-próprio, e de conquista pelo objeto desejado.
CORUMBA, João Paulo
Analisando deste modo, é possível penetrar na infinita complexidade do ser humano, não totalmente, mas conseguir abordar algumas partes desse infinito humano que se classifica emocional e racional. A emoção existe por si só, não há esforço que lhe construa, não necessita de nada, possui uma vida por conta própria, enquanto para a racionalidade, o indivíduo precisa de um esforço para que possa emergir a um grau empírico que seja definitivamente válido. Diante da morte refletimos sempre sobre a morte do outro, e nunca sobre a nossa morte. Sigmund Freud, já dizia sobre essa nossa limitação para se pensar em nossa própria morte, pois se pensarmos ou sonharmos com a nossa morte, não poderíamos relatar tal pensamento/sonho, pois o que morre perde a voz, logo, não seríamos o protagonista da morte, mas sim espectadores dela, desse modo, jamais podemos pensar, sonhar com a nossa própria morte. Podemos então dizer que diante da afirmação dita acima, podemos provar que desde o primeiro pensamento sobre a morte (do outro) significa que já nos encontramos ligados à vida? A essa indagação, parte do segundo princípio dito no começo, o princípio do saber sobre a própria morte por meio do envelhecimento ou por uma doença fatal. O indivíduo como diz Freud, jamais conseguirá pensar/sonhar em sua própria morte, sempre que ele diz ter pensado/sonhado em sua própria morte, ele não tem consciência plena disso, porque no fundo o que ocorre é de fato um assassinato, e não um “suicídio”. Então, partindo desse pressuposto, o que se pode notar é que pensar na morte já é se sentir ligado à vida, mas por um meio muito vago se não levarmos em consideração sobre o sentimento do amor próprio, e os investimentos amorosos para um objeto.
O investimento libinal de objetos não aumenta o amor-próprio. A dependência do objeto amado tem efeito rebaixador; o apaixonado é humilde. Alguém que ama perdeu, por assim dizer, uma parte do seu narcisismo, e apenas sendo amado pode reavê-la. Em todos esses vínculos o amor-próprio parece guardar relação com o elemento narcísico da vida amorosa. (FREUD, Sigmund. Introdução ao Narcisismo, 1914, p.46)
O fato de perdermos uma parte do nosso narcisismo quando estamos investindo em outro objeto, é de certo modo gratificante do ponto de vista de uma transformação no sentido evolutivo do ser humano, isto é, podemos então garantir um sentido a nossa existência por meio do que nos sugere a sobrevivência, um contato de dependência, pois é justamente pela dependência dos outros que sobrevivemos. Segundo Sigmund Freud, “quem não ama, adoece”, e é justamente nesse adoecer que o que nos liga à vida, se desconstrói, e uma nova realidade assume o nosso comando, sendo que esta por sua vez, possui um acesso a não-vitalidade. A reunião de seres humanos na própria existência constata que o olhar do outro é o espelho da nossa vida, pois é a partir do outro que nos orientamos, o outro nos serve como um mapa para o nosso estabelecimento no aqui, no agora. O amor nos garante a cura para suportar a vida, sendo assim, a possibilidade de ligação para com ela, e o saber sobre a própria morte por intermédio de uma aprendizagem vicária diante daqueles que já morreram. Estamos ligados à vida, quando estivermos convictos que a morte existe através da razão, e quando estivermos convictos que o amor em nós existe, através das sensações de perda de uma parte ou diminuição do amor-próprio, e de conquista pelo objeto desejado.
CORUMBA, João Paulo
domingo, 3 de abril de 2011
A visão social diante da psicose
A singularidade do homem, enquanto ser é mantida ao nosso entendimento pela própria intuição intelectual, mas a nossa relação com o mundo vive o plural existente em nosso mundo circundante, pois qualquer tipo de interação seja ela de qualquer natureza tende a uma forma pluralizada de existir. Um comportamento é apenas um comportamento, mas uma mente não é apenas uma mente. O que quero dizer com isso é justamente a idéia de que as nossas formas de nos expressar existem de vários modos adequados à mente na qual possuímos, assim como já dizia o filósofo Aristóteles: "O ser se exprime de muitos modos, mas nenhum modo exprime o ser. O ser de diz em vários sentidos". A forma no qual entendemos o mundo é interpretada no começo como singular, e não numa forma ampla (pluralizada), pois a intuição intelectual ela se torna universal na medida em que interagimos (trocamos informações), mas até esse processo se completar totalmente, agimos de uma maneira puramente "eu". Ser puramente "eu" é uma necessidade humana de “exibir” ao mundo o seu encanto por si mesmo. Mas esse processo de exibição, não seria de certo modo, interagir com o mundo?
Aprofundando-me melhor dentro do meu hábito de refletir, pude perceber que ser puramente "eu" não consiste em uma interação com o mundo, pois este não necessita comunicar-se para concretizar seus desejos. O psicótico, por exemplo, ele interage com o mundo indiretamente, pois este se encontra dentro de uma sociedade, por mais que ele não tenha consciência disso. A interação social é uma forma de eliminarmos o "puramente", mas isso não justifica dizer que o "eu" se prejudica com isso. É um processo de amadurecimento, se analisarmos de um modo que o direcionamento do eu para com o mundo necessita de algumas restrições. Com o psicótico, o eu não se resume, se justifica com o "puramente", por isso é excluído da sociedade mesmo permanecendo dentro dela. Certa vez ouvi um comentário que trazia tal expressão: "O psicótico é banido da sociedade, porque é incapaz de produzir". Tal expressão me chamou atenção para o fato de que a nossa interação tem como papel principal, a produção, seja ela de qualquer natureza (produção de afetos, produção econômica, etc..). E quando não se produz, é porque se trata de um ser doente que precisa ser retirado de dentro dos padrões que a sociedade exige. Mas pensando friamente, como que devemos entender a expressão aristotélica, "o ser se exprime de vários sentidos”? Seria renunciar a tal pensamento e o condenar como impróprio para os parâmetros de aceitação da própria sociedade?
A expressão de Aristóteles me soa profícua, ao modo em que não questionamos a forma de existir de cada um. Não me refiro ao contato com o erro diante desse pensamento, muito pelo contrário, essa expressão está na universalidade da nossa intuição intelectual. O que me refiro, é ao fato de que se somos ditos de vários sentidos, é porque é característico de nossa existência essa forma de ser, e que essa maneira de ajustar o ser a um padrão, tende a proteger a patologia do que ignorá-la ao buscar uma "cura". Justamente nesse ponto que entra uma sociedade doentia, que encara o comportamento como profícuo, muito mais que a própria mente, que esta por sua vez não é singular, e sim mais ampla do que se pensa.
João Corumba
"Um comportamento é apenas um comportamento, mas a mente não é apenas uma mente"-JPC
Aprofundando-me melhor dentro do meu hábito de refletir, pude perceber que ser puramente "eu" não consiste em uma interação com o mundo, pois este não necessita comunicar-se para concretizar seus desejos. O psicótico, por exemplo, ele interage com o mundo indiretamente, pois este se encontra dentro de uma sociedade, por mais que ele não tenha consciência disso. A interação social é uma forma de eliminarmos o "puramente", mas isso não justifica dizer que o "eu" se prejudica com isso. É um processo de amadurecimento, se analisarmos de um modo que o direcionamento do eu para com o mundo necessita de algumas restrições. Com o psicótico, o eu não se resume, se justifica com o "puramente", por isso é excluído da sociedade mesmo permanecendo dentro dela. Certa vez ouvi um comentário que trazia tal expressão: "O psicótico é banido da sociedade, porque é incapaz de produzir". Tal expressão me chamou atenção para o fato de que a nossa interação tem como papel principal, a produção, seja ela de qualquer natureza (produção de afetos, produção econômica, etc..). E quando não se produz, é porque se trata de um ser doente que precisa ser retirado de dentro dos padrões que a sociedade exige. Mas pensando friamente, como que devemos entender a expressão aristotélica, "o ser se exprime de vários sentidos”? Seria renunciar a tal pensamento e o condenar como impróprio para os parâmetros de aceitação da própria sociedade?
A expressão de Aristóteles me soa profícua, ao modo em que não questionamos a forma de existir de cada um. Não me refiro ao contato com o erro diante desse pensamento, muito pelo contrário, essa expressão está na universalidade da nossa intuição intelectual. O que me refiro, é ao fato de que se somos ditos de vários sentidos, é porque é característico de nossa existência essa forma de ser, e que essa maneira de ajustar o ser a um padrão, tende a proteger a patologia do que ignorá-la ao buscar uma "cura". Justamente nesse ponto que entra uma sociedade doentia, que encara o comportamento como profícuo, muito mais que a própria mente, que esta por sua vez não é singular, e sim mais ampla do que se pensa.
João Corumba
"Um comportamento é apenas um comportamento, mas a mente não é apenas uma mente"-JPC
domingo, 20 de fevereiro de 2011
A cegueira de quem ver
Em pontos de partida para o acaso, o mudo diante dos que não possuíam razão se fez estético em sua estrutura, pois desse modo não se sentiria impotente por mais uma tentativa ineficiente de retirar palavras de sua boca. Talvez pudesse pensar em uma opção melhor de expressão, talvez remoendo com a face o que não pretendia concordar, ou quem sabe, até mesmo provocando outros gestos que chegassem a altura da comunicação que não conseguia alcançar, ou um pouco perto dela. Enfim, nada fazia, e oferecendo ao externo o silêncio do seu ser, se fez condenado na penitência que é concordar com o meio de fracasso que há dentro de si, pois era assim que por ele era visto.
O fato não está na dimensão do que flui ao seu campo racional, mas sim ao seu efeito reflexo que se perde numa concepção de algo decepado, onde se sente perdido em seu existir por não fazer da sua própria existência um comando ativo por uma voz que se aplica a questionar sobre o que se tem como erro. Vemos muitos mudos por dentro dessa existência que não nos diz nada, que já é muda por natureza, e totalmente incentivadora de buscas pelos seus maiores conceitos de importância. Falar nos mudos é como falar nos cegos, nos surdos, nos que fazem do existir uma aposta com a paciência da submissão. Não me interesso por contatos diretos com a simplicidade que criamos para nos sobressair diante do medo de admitirmos que tememos a nós mesmos. Nossa habilidade de sermos densos covardes com pura consciência se faz no questionamento claro de um pensamento clássico: "O coração tem razões que a própria razão desconhece". Não sei o que virá de dentro de minha profundeza, logo temo que o meu sombrio me esclareça o caráter da minha própria incompetência de saber.
Saber reduzir a queda, é saber aumentar a inócuidade da verdade íntima, saber esse que pretendo distância absoluta. Não vejo o ser como um ser que aprecia a sua ordem reflexiva, mas sim como um carrasco do que significa "esclarecer-se". Nada em volta e mais um passo para trás, é sempre assim o bruto sem natureza do ser, que se avança em um momento, não suporta o sucesso e retrocede o dobro daquilo que conseguiu no avanço. O medo é um ser na cruz, um organismo apático diante da ordem onde lidera a angústia, e este se identifica com ela, não por se entender como ela, mas por medo de recusar e esta se tornar mais severa. De fato compreendemos aí então, um alívio pelo fator conformado da falta de esperança, estendendo assim o sentido de ser com o sentido que carrega uma força auto-destrutiva.
Ao mesmo tempo em que se caminha para a vida, o que nos investe é de fato a sentença mortal, é o sacrifício do luto pela análise própria bem sucedida, na qual esta já se faz morta em seu próprio alicerce, em seu próprio início, em seu denso domínio. Ser o que existe não é necessariamente existir, mas sim ser, assim como os inativos que se comportam mudos, surdos e cegos, e desenham no simbólico dos que estão no "existir" um flutuante acabar de racionalização.
João Paulo Corumba
"Quadros pintados pela consciência demonstram traços borrados pela necessidade humana de reprimir a transparência interna." JPC
O fato não está na dimensão do que flui ao seu campo racional, mas sim ao seu efeito reflexo que se perde numa concepção de algo decepado, onde se sente perdido em seu existir por não fazer da sua própria existência um comando ativo por uma voz que se aplica a questionar sobre o que se tem como erro. Vemos muitos mudos por dentro dessa existência que não nos diz nada, que já é muda por natureza, e totalmente incentivadora de buscas pelos seus maiores conceitos de importância. Falar nos mudos é como falar nos cegos, nos surdos, nos que fazem do existir uma aposta com a paciência da submissão. Não me interesso por contatos diretos com a simplicidade que criamos para nos sobressair diante do medo de admitirmos que tememos a nós mesmos. Nossa habilidade de sermos densos covardes com pura consciência se faz no questionamento claro de um pensamento clássico: "O coração tem razões que a própria razão desconhece". Não sei o que virá de dentro de minha profundeza, logo temo que o meu sombrio me esclareça o caráter da minha própria incompetência de saber.
Saber reduzir a queda, é saber aumentar a inócuidade da verdade íntima, saber esse que pretendo distância absoluta. Não vejo o ser como um ser que aprecia a sua ordem reflexiva, mas sim como um carrasco do que significa "esclarecer-se". Nada em volta e mais um passo para trás, é sempre assim o bruto sem natureza do ser, que se avança em um momento, não suporta o sucesso e retrocede o dobro daquilo que conseguiu no avanço. O medo é um ser na cruz, um organismo apático diante da ordem onde lidera a angústia, e este se identifica com ela, não por se entender como ela, mas por medo de recusar e esta se tornar mais severa. De fato compreendemos aí então, um alívio pelo fator conformado da falta de esperança, estendendo assim o sentido de ser com o sentido que carrega uma força auto-destrutiva.
Ao mesmo tempo em que se caminha para a vida, o que nos investe é de fato a sentença mortal, é o sacrifício do luto pela análise própria bem sucedida, na qual esta já se faz morta em seu próprio alicerce, em seu próprio início, em seu denso domínio. Ser o que existe não é necessariamente existir, mas sim ser, assim como os inativos que se comportam mudos, surdos e cegos, e desenham no simbólico dos que estão no "existir" um flutuante acabar de racionalização.
João Paulo Corumba
"Quadros pintados pela consciência demonstram traços borrados pela necessidade humana de reprimir a transparência interna." JPC
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Vontade de ser patológico
Analiso a vida humana como uma fonte que transborda numa superfície estética de amor e ódio na representação original dos movimentos de tensão diante de nossas extremidades internas.
A concepção sobre a patologia da alma, parte da existência de uma privacidade do Eu que se comporta de forma desfuncional. Mas o assunto que aqui pretendo levantar não se aprofunda a uma questão científica de fato, e sim a um pensamento próprio que pode ser levado em conta ou não, dependendo evidentemente da interpretação de cada um que aqui faço questão de respeitar.
Há uma dívida entre o prazer e o desprazer, em que o homem que financia a longo prazo precisa aos poucos pagar com as suas angústias e com o seu aliviar de tensões. É bastante conveniente acharmos que nossa vida jamais poderia ser provida de valor se o desprazer não acompanhasse o prazer, e vice-versa. Os nossos objetivos se baseiam na presença e na ausência de algo, por isso mesmo que definimos nossa existência em um referencial de equilíbrio. Nossa capacidade de não entender coisas que para alguns parecem óbvias é muitas vezes dada ao fracasso pela voz dos estrangeiros de nossas vidas que surgem como espiões de nossos desejos, do nosso pensar, de nossas angústias. Poderíamos renunciar tal pensamento e não nos dirigir como plenos paranóicos em total atividade.
A vida é vista de um ângulo que muitos desejam designar de ângulo do abismo, ou talvez, de ângulo do ápice espiritual. O que seja, toda essa vontade de saber sobre as direções, sobre a origem dos sentimentos, correspondem a minha forma de refletir como uma vontade de ser patológico, como uma firme dependência de se submeter a viver a questionar sobre si mesmo já com uma intenção em saber sobre a patologia que sem diagnósticos antecedentes já julga ter. Essa forma de enxergar a vida por um aspecto de hipóteses fóbicas, interrompe ao meu entender o processo de conhecimento próprio, se tratando de uma limitação interna que se lança eficiente sobre o externo, mesmo que a origem desse lançamento esteja na interioridade e seja o que faz mover tal conduta.
O delírio social a meu ver consiste na caminhada que leva o homem ao prazer por meios que contradizem o gozo no final de sua concretização. Por exemplo, o prazer se afirma na explicação própria por meio da satisfação, renunciando assim todo o montante afetivo que se resultava em angústia, esse montante é renunciado e o prazer invade o cenário psíquico. O desafio é preservar tal gozo, algo demonstrado como muito díficil, pois se existe prazer e isso é associado a um estado estável, a mesma associação se empobrece por não ter consistência diante da compatibilidade daquilo que carrega de fato estabilidade. O prazer morre sempre pelo seu sucessor, eis a questão; desejo é fome de desejo que morre faminto. A meu ver o prazer é uma parte do desejo, só que de uma forma mais madura, embora, não sobreviva como o esperado. Partindo para o ponto que pretendo chegar, trata-se da seguinte questão; Porque nos entendemos patológicos quando o prazer desaparece? A Psicanálise pode contestar esse ponto de vista, fazendo referência ao que existe na neurose obsessiva, embora isso seja bem vindo ao meu entendimento, não quero me resumir apenas a uma explicação que aplica ao conflito um sentido único, e sim dar a esse questionamento um sentido filosófico que possa se manifestar não como uma definição do Eu, mas sim como uma saída que o Eu está procurando para se encontrar, sendo que da forma mais densa possível. Essa saída que acabo de informar, penso como uma vontade, que se realiza na direção da patologia, embora não alcance de forme eficiente, pois diante de seres que se comportam de forma tal, parece mais que estão a adquirir prazer na busca incansável por uma patologia em seus organismos, de modo que nunca encontrará, pois a patologia que pensa existir se restringe a uma vontade e não a uma deformação estrutural (a verdadeira patologia).
João Paulo Corumba
"O Eu perdido se encontra no deslocamento afetivo"-JPC
A concepção sobre a patologia da alma, parte da existência de uma privacidade do Eu que se comporta de forma desfuncional. Mas o assunto que aqui pretendo levantar não se aprofunda a uma questão científica de fato, e sim a um pensamento próprio que pode ser levado em conta ou não, dependendo evidentemente da interpretação de cada um que aqui faço questão de respeitar.
Há uma dívida entre o prazer e o desprazer, em que o homem que financia a longo prazo precisa aos poucos pagar com as suas angústias e com o seu aliviar de tensões. É bastante conveniente acharmos que nossa vida jamais poderia ser provida de valor se o desprazer não acompanhasse o prazer, e vice-versa. Os nossos objetivos se baseiam na presença e na ausência de algo, por isso mesmo que definimos nossa existência em um referencial de equilíbrio. Nossa capacidade de não entender coisas que para alguns parecem óbvias é muitas vezes dada ao fracasso pela voz dos estrangeiros de nossas vidas que surgem como espiões de nossos desejos, do nosso pensar, de nossas angústias. Poderíamos renunciar tal pensamento e não nos dirigir como plenos paranóicos em total atividade.
A vida é vista de um ângulo que muitos desejam designar de ângulo do abismo, ou talvez, de ângulo do ápice espiritual. O que seja, toda essa vontade de saber sobre as direções, sobre a origem dos sentimentos, correspondem a minha forma de refletir como uma vontade de ser patológico, como uma firme dependência de se submeter a viver a questionar sobre si mesmo já com uma intenção em saber sobre a patologia que sem diagnósticos antecedentes já julga ter. Essa forma de enxergar a vida por um aspecto de hipóteses fóbicas, interrompe ao meu entender o processo de conhecimento próprio, se tratando de uma limitação interna que se lança eficiente sobre o externo, mesmo que a origem desse lançamento esteja na interioridade e seja o que faz mover tal conduta.
O delírio social a meu ver consiste na caminhada que leva o homem ao prazer por meios que contradizem o gozo no final de sua concretização. Por exemplo, o prazer se afirma na explicação própria por meio da satisfação, renunciando assim todo o montante afetivo que se resultava em angústia, esse montante é renunciado e o prazer invade o cenário psíquico. O desafio é preservar tal gozo, algo demonstrado como muito díficil, pois se existe prazer e isso é associado a um estado estável, a mesma associação se empobrece por não ter consistência diante da compatibilidade daquilo que carrega de fato estabilidade. O prazer morre sempre pelo seu sucessor, eis a questão; desejo é fome de desejo que morre faminto. A meu ver o prazer é uma parte do desejo, só que de uma forma mais madura, embora, não sobreviva como o esperado. Partindo para o ponto que pretendo chegar, trata-se da seguinte questão; Porque nos entendemos patológicos quando o prazer desaparece? A Psicanálise pode contestar esse ponto de vista, fazendo referência ao que existe na neurose obsessiva, embora isso seja bem vindo ao meu entendimento, não quero me resumir apenas a uma explicação que aplica ao conflito um sentido único, e sim dar a esse questionamento um sentido filosófico que possa se manifestar não como uma definição do Eu, mas sim como uma saída que o Eu está procurando para se encontrar, sendo que da forma mais densa possível. Essa saída que acabo de informar, penso como uma vontade, que se realiza na direção da patologia, embora não alcance de forme eficiente, pois diante de seres que se comportam de forma tal, parece mais que estão a adquirir prazer na busca incansável por uma patologia em seus organismos, de modo que nunca encontrará, pois a patologia que pensa existir se restringe a uma vontade e não a uma deformação estrutural (a verdadeira patologia).
João Paulo Corumba
"O Eu perdido se encontra no deslocamento afetivo"-JPC
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
A essência como concreta
A idolatria não alcança o caráter
É só um absorver da imagem
Que se lança naturalmente em sua
artificialidade
E em sua natureza conduzida pela projeção.
O ídolo vive na garantia de um herói
E sua morte é o crédito permanente
Torna-se o Deus que conhecemos
O Deus que viveu como concreto
Como o núcleo das nossas vidas
E o insubstituível na personalidade
Presente do que nossa alma cativa
João Paulo Corumba
"O nada nos faz amar o vazio que há em quem o conserva"- JPC
É só um absorver da imagem
Que se lança naturalmente em sua
artificialidade
E em sua natureza conduzida pela projeção.
O ídolo vive na garantia de um herói
E sua morte é o crédito permanente
Torna-se o Deus que conhecemos
O Deus que viveu como concreto
Como o núcleo das nossas vidas
E o insubstituível na personalidade
Presente do que nossa alma cativa
João Paulo Corumba
"O nada nos faz amar o vazio que há em quem o conserva"- JPC
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